ESTRADA REAL (MINAS GERAIS)
- Debora Castor
- Apr 1
- 7 min read
Updated: Apr 8
Em 2019 realizei o sonho de fazer uma “road trip” com a minha família pela Estrada Real. Saímos de São Paulo com destino às terras mineiras para mergulhar na história e nas paisagens do Brasil Colonial. Cidades charmosas, arquitetura barroca preservada e, claro, a hospitalidade e gastronomia que só Minas Gerais tem.

A Estrada Real é a maior rota turística do país. Ela surgiu no século XVII, na época do ciclo do ouro e do diamante, ligando as cidades históricas ao porto do Rio de Janeiro.
A melhor forma de percorrer a Estrada Real é de carro, dando a liberdade para parar nas cidades históricas e apreciar a vista das serras.
É importante saber que a Estrada Real não é um caminho único, mas sim uma rede de estradas abertas pela Coroa Portuguesa no século XVII para o transporte de ouro e diamantes. Hoje, são mais de 1.600 km de história cruzando Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
AS ROTAS DA ESTRADA REAL
1. CAMINHO VELHO (O Pioneiro)
Trecho: Ouro Preto (MG) a Paraty (RJ).
História: Foi a primeira via aberta oficialmente. O ouro descia de Minas até o porto de Paraty para seguir para Portugal.
Referências: Passa pela Serra da Mantiqueira. Cidades principais: Caxambu, São Lourenço, Cunha e Tiradentes. É o caminho mais clássico para quem gosta de gastronomia e natureza.
2. CAMINHO NOVO (A Agilidade)
Trecho: Ouro Preto (MG) ao Rio de Janeiro (RJ).
História: Criado para ser uma alternativa mais segura e rápida ao Caminho Velho (que levava quase 2 meses). Ele evitava ataques piratas no mar entre Paraty e Rio.
Referências: Repleto de túneis ferroviários e fazendas antigas. Cidades principais: Juiz de Fora, Petrópolis e Barbacena.
3. CAMINHO DOS DIAMANTES (A Riqueza)
Trecho: Ouro Preto (MG) a Diamantina (MG).
História: Ganhou importância quando as pedras preciosas foram descobertas no norte de Minas. Conectava a capital do ouro (Ouro Preto) à sede dos diamantes (Tijuco, hoje Diamantina).
Referências: Paisagens de tirar o fôlego na Serra do Espinhaço. Cidades principais: Mariana, Catas Altas e Serro.
4. CAMINHO SABARABUÇU (O Místico)
Trecho: Distrito de Cocais (Barão de Cocais) a Glaura (Ouro Preto).
História: É uma rota alternativa. Os bandeirantes acreditavam que o brilho no topo da Serra da Piedade era prata (na verdade era minério de ferro), o que gerou uma nova exploração na região.
Referências: Curto e intenso, cercado por montanhas. Cidades principais: Caeté e Sabará.

O Caminho Velho é a rota histórica original que conectava as minas de ouro ao litoral. Hoje, o trajeto é sinalizado pelos icônicos Totens da Estrada Real, que indicam pontos de interesse, gastronomia e hospedagem.
A experiência é tão bem estruturada que o viajante pode utilizar o Passaporte da Estrada Real, oferecido pelo instituto oficial, coletando carimbos em estabelecimentos parceiros ao longo de toda a rota como registro de sua jornada.
ONDE SE HOSPEDAR
Existem opções de pousadas históricas maravilhosas em todas as paradas.
Não deixe de reservar com antecedência hospedagens com localizações estratégicas dentro da rota, claro que de acordo com o tempo que você terá para esta viagem.
Nós optamos por nos hospedar apenas nas cidades de São João del Rei e Ouro Preto. Viajamos um pouquinho no passado com a arquitetura Barroca dessas cidades.
São João del Rei, em comparação a cidade de Tiradentes, é uma ótima base para quem quer explorar a região com um custo-benefício interessante e uma atmosfera mais autêntica de cidade do interior.
Ouro Preto, por ser o ponto mais turístico deste roteiro, os valores de hospedagem podem ser, sim, mais altos.
O QUE FAZER – ROTEIRO DE VIAGEM
PARADA 1: CAXAMBU
Com uma parada estratégica em Guaratinguetá, ainda em São Paulo, nossa primeira parada oficial foi em Caxambu, Minas Gerais.
A pequena cidade concentra o maior complexo hidromineral do mundo, com doze fontes de água mineral.
O que fazer: Fizemos uma parada rápida para almoço e visitamos o Parque das Águas. Experimentamos as 12 fontes; cada uma tem reações químicas diferentes e acredita-se em benefícios como anti-inflamatório, anti-séptico e auxílio na hipertensão. Algumas têm um gosto bem peculiar! 🤣
PARADA 2: SÃO JOÃO DEL REI
Siga viagem em direção ao coração do Ciclo do Ouro.
Nos hospedamos na Pousada Estação do Trem, um casarão que mantém a arquitetura dos últimos séculos, com uma localização privilegiada no centro da cidade a poucos metros da Maria Fumaça de São João del-Rei. Sem contar aquele café da manhã típico mineiro de aquecer o coração do paladar!
Diferente da vizinha Tiradentes, São João del Rei é uma cidade viva e pulsante, onde o sino das igrejas ainda dita o ritmo dos moradores (é conhecida como a "Terra onde os sinos falam"). Foi um dos mais importantes centros comerciais do Brasil Colônia e preserva todo este acervo arquitetônico da época.
O que fazer: Igreja de São Francisco de Assis: Projetada por Aleijadinho, possui um jardim de palmeiras imperiais que rende fotos lindas.
Centro Histórico à noite: Caminhe pela Rua das Casas Casadas e cruze a Ponte do Rosário. A iluminação valoriza os casarões e as igrejas, criando uma atmosfera mágica.
Rua Torta (Rua Santo Antônio): Um dos marcos mais charmosos da cidade. Com seu calçamento de pedras e casas coloridas que acompanham a curvatura da via, é parada obrigatória para fotos.
Passeio de Maria Fumaça: É o passeio clássico! O trem a vapor liga São João a Tiradentes (12km). O visual da Serra de São José é incrível e a chegada na estação é uma viagem no tempo.
PARADA 3: TIRADENTES
O dia de deixar o carro no hotel e turistar no passado.
Depois de uma noite de descanso e um café da manhã cheio de delícias mineiras, partiu explorar a cidade de Tiradentes.
Impossível não se apaixonar, é uma das cidades mais charmosas de Minas. O nome é em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, herói da Inconfidência Mineira.
Vale caminhar sem pressa pelas ruas de pedra e visitar as lojinhas de artesanato.
Maria Fumaça: Pegamos o trem “Maria Fumaça” em São João com destino a Tiradentes. O trajeto dura cerca de 1 hora e o terminal fica logo na entrada da cidade.
O que fazer: Em Tiradentes, não deixe de ir à Matriz de Santo Antônio, uma das igrejas com mais ouro no Brasil.
PARADA 4: BICHINHO
A poucos quilômetros de São João del-Rei, faça um desvio obrigatório para conhecer o charmoso vilarejo de Bichinho.
O povoado é um dos maiores polos de artesanato e criatividade de Minas Gerais. O clima é de total tranquilidade, com ruas de terra e casinhas coloridas que abrigam oficinas de arte, móveis de demolição e esculturas. É o lugar perfeito para quem quer levar uma recordação autêntica da Estrada Real.
Oficina de Agosto: O coração criativo de Bichinho. Um espaço repleto de arte popular brasileira feita com materiais reaproveitados.
Casa Torta: Uma construção lúdica e totalmente "fora do eixo" que rende fotos divertidas e é uma parada obrigatória para quem viaja em família.
PARADA 5: CONGONHAS
No caminho para Ouro Preto, paramos nesta cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

O que fazer: Visitar o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos para ver as famosas obras de Aleijadinho. A mais conhecida são os 12 profetas retratados em esculturas de pedra-sabão. É emocionante ver de perto o detalhamento artístico.
PARADA 6: OURO PRETO
Reserve com antecedência e hospede-se em um hotel com estacionamento. Dependendo de quantos dias e da disposição para dirigir, você pode optar por ficar mais ou seguir a estrada.
Ouro Preto é o auge da história mineira. Uma cidade de ladeiras íngremes e muitas histórias de liberdade.
Antiga Vila Rica, Ouro Preto foi o epicentro da corrida do ouro no século XVIII e palco da Inconfidência Mineira. É um verdadeiro museu a céu aberto, do barroco ou rococó sob as mãos de Aleijadinho e Mestre Ataíde.
Prepare as pernas: as ladeiras são o charme (e o desafio) da cidade!
O que fazer:
Igreja de São Francisco de Assis: Obra-prima de Aleijadinho, com o teto pintado por Mestre Ataíde. É considerada uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.
Praça Tiradentes e Museu da Inconfidência: O coração da cidade. O museu guarda restos mortais dos inconfidentes e objetos da época colonial.
Minas de Ouro: Visite a Mina do Chico Rei para entender a história sob a perspectiva da escravidão e resistência.
Mirante da Igreja de São Francisco de Paula: O melhor lugar para ver o pôr do sol e ter uma visão panorâmica de toda a cidade com o Pico do Itacolomi ao fundo.
Feirinha de Pedra Sabão: Localizada no Largo de Coimbra, é o lugar ideal para comprar artesanato típico.
Casa de Aleijadinho: Localizada no bairro de Antônio Dias, a casa onde viveu o maior mestre do barroco brasileiro é uma parada obrigatória. O espaço preserva o ambiente de época e ajuda a entender a vida e os desafios físicos do artista que transformou a história da arte no Brasil.
Além da história, monumentos, minas de ouro e igrejas, Ouro Preto também é rodeado por maravilhosas paisagens naturais.
No Parque das Andorinhas encontramos cachoeiras, diferentes níveis de trilhas e muita beleza natural pra curtir e dar uma pausa.
PARADAS ADICIONAIS: MARIANA, BRUMADINHO
Vizinha de Ouro Preto, Mariana foi a primeira capital de Minas.
O que fazer: Mina da Passagem, a maior mina de ouro aberta à visitação no mundo. A descida é feita em um carrinho antigo (trolley) que leva você a 120 metros de profundidade até galerias e um lago subterrâneo de águas cristalinas.
Arte e Natureza, Brumadinho, é o destino onde o paisagismo e a arte contemporânea se juntam em uma experiência única.
O que fazer: Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo. Reserve ao menos um dia inteiro para visitar os jardins botânicos e as galerias de arte.
LOGÍSTICA DA VIAGEM
Distância Total: Aproximadamente 650 km a 700 km (dependendo dos desvios).
Dica de Ouro: Não confie 100% no GPS em áreas rurais. Siga a sinalização dos Totens da Estrada Real, eles são o seu melhor guia visual no caminho.
DICA PARA O MOTORISTA
As estradas mineiras são famosas pelas "curvas e ladeiras". Evite dirigir à noite, pois a neblina na Serra da Mantiqueira pode ser muito intensa e os trechos de pista simples exigem atenção redobrada.
Espero que tenham gostado! Agora é só arrumar as malas.
Desejo uma excelente viagem a todos, sempre com muita segurança e boas histórias para contar. 🙂



















































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